quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

REALIDADE

Artigo
Por Aline Martins

SOLIDARIEDADE À TONA

Fim de ano, tragédias, catástrofes. Todas as vezes que as pessoas se encontram perante essas situações, inúmeros sentimentos se manifestam: compaixão, solidariedade, tristeza, amor. A maioria dessas pessoas, principalmente os brasileiros, quer de alguma forma ajudar o próximo e assim amenizar a dor e o sofrimento alheio que cada um sente. Porém, há aquelas pessoas que se aproveitam do cenário chocante e buscam de alguma maneira ganhar aquilo que não as pertenciam.
Começando por Santa Catarina. Os moradores de lá passaram por dias inesquecíveis e marcantes para o resto da vida. Por algumas semanas, chuva, desabamento, transformou a rotina das pessoas em pesadelo. Diante disso, toneladas de solidariedade, oriundas de diversas partes do Brasil eram depositadas em salões e ginásios transformados em depósitos de doações. Voluntários se organizavam para fazer a distribuição dos donativos e a montagem das cestas básicas que foram distribuídas às famílias afetadas pelas enchentes.
Enquanto isso, emissoras de televisão, depoimentos das vitimas, mostrou que muitos se aproveitavam da situação. Roupas boas, alimentos, doações, eram bloqueadas no momento da triagem para que alguns “voluntários” levassem para casa, produtos que eles consideravam “maneiros”. Aquilo que colocaria de volta o sorriso no rosto daquela criança ou daquela mãe, fora tirado delas por pessoas com más intenções.
No mesmo cenário, botijões de gás eram vendidos pelo triplo do preço e galões de água por um valor bem maior. Isso, não seria se aproveitar do sofrimento, necessidade e dor do próximo? Em um País onde foi possível pedir para que as ajudas parassem, encontrar pessoas que diante disso, tiram proveito?
Porém, não precisamos mudar de Estado para encontrar situações maldosas e inconseqüentes das pessoas.
Natal. Dias em que a solidariedade vem à tona. Quantas pessoas procuraram os Correios em busca da cartinha de uma criança carente que sonha em ter uma boneca ou um carrinho? Lendo as cartas, podemos ter em mãos inúmeras realidades e assim, a vontade de alegrar aquela criança.
Porém, muitos pequeninos ainda não sabem escrever e por intermédio dos pais, manifestam o desejo de ganhar um presente do bom velhinho.
Certa vez, nos últimos dias de 2008, pude ouvir uma história que me chocou. Como pode alguém se aproveitar da boa intenção do outro, assim, na “cara de pau”?
Uma família adotou uma criança para presenteá-la no Natal. Saiu numa tarde no comércio e de loja em loja, via qual boneca poderia aparecer mais com a criança que desejava o brinquedo.
Dias antes da festa natalina, a família pegou o carro, a carta que continha o endereço da menina de apenas três anos, e saiu à procura de sua residência. Ao chegar ao local, a família encontrou os irmãos, cada um em uma motoca de boa marca, bem vestidos, moradores de uma casa de boa aparência. A mãe, com roupas boas, sapatos bons, veio dar boas vindas àquela família que vinha trazer o brinquedo “tão sonhado” da garota. Era perceptível de que se tratava de pessoas que não precisariam pedir brinquedos de Natal por meio de cartas para os Correios. Essa mãe acabava de tirar dos braços de uma criança que de fato não tinha dinheiro para comprar a boneca, o sorriso de agradecimento ao Papai Noel. Se não bastasse, a boneca ainda não foi do jeito que a garota sonhava. “Essa não vem com o carrinho”, indagou um familiar.
Então, aqui, nessas poucas linhas, quero manifestar meu desejo de revolta. Revolta pelas pessoas que se aproveitam da boa vontade dos indivíduos de bom coração. Das pessoas que se aproveitam do sentimento solidário do próximo. Das pessoas que se aproveitam da dor inexplicável do irmão.
Vamos continuar sendo os bons brasileiros, que se unem na dor, na esperança de um País melhor, de mãos dadas no sofrimento e na alegria.

Um comentário:

Carol disse...

Irmão... muito bom! Vc publicou isso em algum lugar?
Amo!
Saudades.
Ca